Sinto como se nevasse no Rio de Janeiro todinho.
Meu coração é Copacabana.
Mar de ressaca
Sofre para não congelar.
Luta em vai e vem,
Em vão.
Está tudo branco.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Coração Copacabana
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quinta-feira, 29 de julho de 2010
Estado
Nunca sou
Senão líquida.
Às vezes, perco ainda mais a consistência
E espumo;
Noutras,
Até vaporizo,
Acho que vou desprender de mim.
Só nunca solidifico.
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quarta-feira, 28 de abril de 2010
O caminho de João
Naquele dia, o ônibus de João não passou. Cansado, ele entrou no primeiro que parou. Sentou e pensou em ficar ali até avistar algum lugar conhecido. Daí, então, desceria e encontraria o seu destino.
Atento à janela, via ruas, prédios, luzes, comércios vazios, dezenas de quarteirões que se repetiam aos seus olhos. A sua cidade, onde há 42 anos morava, apresentava-se uma estranha desconhecida. Estátuas sujas nas praças, meninas mudas nas esquinas, bares lotados de pais de alguém, calçadas vazias com filhos de ninguém. Tudo se desnudava à sua frente, num tom de show de strip-tease de prostituta decadente. Seus olhos, sempre em vigília, admiravam cada detalhe que passava. Ele era um turista encantado, com medo de perder o ponto.
Já havia passado mais de uma hora e ele não chegava a lugar nenhum. O ônibus estava vazio. Ele, ao fundo, no último assento, estava perdido, mas tinha a preguiça pós cachaça que tornava o falar custoso demais para que pudesse solicitar informação ao condutor.
O olhar curioso começou a ceder ao cansaço. Seu corpo exausto fazia a mente pesar e seus sentidos se inebriarem. De repente, foi se dando conta de que sentia um estranho cheiro, uma mistura azeda de suor de um dia quente, vômito vencido e naftalina de terno velho, daquele tirado do armário só para ocasiões especiais.
Entorpecido, quanto mais sentia o cheiro que lhe causava náusea, mais tinha necessidade de inalá-lo. E respirava fundo, cada vez mais fundo, entregando-se àquela neblina densa de sabor ácido, como um bêbado se entrega à sarjeta num tropeço de madrugada.
Num espasmo, saltou do banco assustado, apertou com força o botão de desembarque e, num pulo, desceu do ônibus, atravessou a avenida e seguiu seu novo caminho.
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terça-feira, 13 de abril de 2010
Jogo do Real
Quando vejo, já foi.
Quando penso, não é mais.
Falei e perdeu o sentido.
Brinco de pega-pega,
Ele, só esconde-esconde.
Grito: está comigo!
Mas com ele é sempre "já morreu".
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