Gostei. Gostei dele. Gostei do homem, do jeito, do personagem. Gostei da experiência e de experimentar. Gostei do gosto e do gosto. Gostei do que senti por ele e do que senti com ele. Gostei de ser vítima da saudade e, mais ainda, sua assassina. Gostei da mão, de cada toque. Gostei dos pés, das pernas, dos pelos, do peito e do cabelo. Gostei da voz e do que dizia. Gostei dos olhos e de como me via, de como pedia os meus olhos também. Gostei de ser navegante e de ser navegada, de explorar e de ser explorada. Gostei do telefone, do banco, da rua, do quarto, do armário. Gostei da gota de suor. Gostei do braço, do abraço, da boca, do beijo. Gostei da careta ao som e da mão, em mim, em compasso. Gostei de querer e ter, de ter e querer. Gostei dos olhos se perdendo e da língua me encontrando. E dos olhos também gostei cada abrir e cada fechar. Da boca também gostei cada gritar e sussurrar, cada sorriso e cada gemido. Gostei quando gostava. Gostei de saber que gostava e o quanto gostava. Gostei de gostar e de cada gostar. Gostei.
E é a saudade de tanto gostar o que agora mais me faz chorar. Porque aquele por quem esse gostar nutri agora não existe mais. Do amante fez-se o desconhecido, como se faz do vivo defunto.
Tão de repente, assim, matamos o homem e o sentimento, e o pó vira saudade. Inútil saudade, porque por um morto; incomoda saudade, porque por um morto que, em algum lugar, ainda existe.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Gostei
Desfrutado por Thais às 16:40
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