Quarenta anos, uma mulher, dois filhos.
Apaixonado, bem sucedido.
Profissão: sua vida. Sua vida: a família.
Mais uma hora extra, mais um relatório a terminar.
Um maço de cigarros, seis xícaras de café.
Exaustão, estresse, cansaço.
Discussões incessantes, celular ruidoso, reclamações, insatisfação, o chefe.
A gota
- Arruma essa gravata!
Um suspiro
Peça a peça se desfaz, desconstrução.
O sapato, sustento de toda uma vida, de muitas vidas.
As calças despem o peso da responsabilidade.
A camisa, guardiã de tantas preocupações.
Botão por botão, amarra por amarra.
Desabotoa, o dinheiro.
Desabotoa, o tempo.
Desabotoa, o espaço.
Desabotoa, a vida.
Desabotoa, o real.
Finalmente a gravata, apenas a gravata.
Impecável, única, fio solitário, elo transitório do tudo para o nada, do alguém para o ninguém.
A luz se revela e o mundo renega.
Final da vida, princípio da existência.
terça-feira, 10 de março de 2009
A oca do eco oco
Desfrutado por Thais às 19:16
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