domingo, 8 de março de 2009

Fala vazia

Quando eu lembro
Quantas conversas já comecei,
Só por onda,
Quantas bobagens já disse,
Tão de tonta.

Para em fresta deixar escapar
O que não consegui falar,
Para um pouco revelar
Do que não tive coragem de mostrar,

Para chamar sua atenção,
Fingindo distração.
Tão livre, tão louca,
Tão pouca.

Quantos gritos para dentro já gritei,
Deixando escapar um sussurro,
Que não me denunciaria.
Escondida em segurança
No vazio do sentido.

Controlando-me sem saber
Para dizer somente o que você já sabia.
Reprimindo, por medo do fogo, o calor,
Me deixando fria.

Funções fáticas,
Expressões que não expressam,
Conversas que nada falam,
Pelo excesso do que dizer.

E eu gorfava letras em vão,
Com toda a razão,
Só por que sabia
Que, no embaralho das frases,
Você percebia
Os casos ao acaso que causei,
As conversas sem propósito que provoquei.

Palavras minhas
Que foram lhe encontrar,
No lugar do meu corpo,
Que queria ir,
Mas deixava estar.

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