segunda-feira, 13 de abril de 2009

A veiz que a sorte vem

Às veiz a sorte é tanta
Q’inté a desgraça pode vir fazer pirraça
Que a gente olha ela na cara, faz é graça
E, sem praça, toca ela desgraçá outro lugar.

Até tem veiz que tudo começa já no fim,
O fim, insiste em ser meio,
O meio, meio fim.

Mas daí, se a gente chama,
A sorte vem.
Faz uma prece, ela aparece
E acaba por pôr tudo no lugar.

Que, quando qué, pode o mundo desandá,
Tudo ficar longe, difícil de alcançá,
Que a gente dá um jeito,
Cria força, esquece o medo,
Fecha os olhos e corre buscá.

Daí, num há o que possa,
Num tem bicho que ameaça,
Nem capeta que assusta,
Nem coisa feita ou encosto
Que não possa desencostá.

Quando qué, o mundo muda.
Faz velha mexeriqueira ficar muda,
Muda seca virar flor,
Moça feia virar donzela
E até com o príncipe enamorá.

Às veiz, nas veiz que qué,
A sorte vem.
Na gargalhada, no molejo
No gingado, no festejo
Vem a sorte,
Vem e faz o seu terreiro.

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