quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Odniac

Caminhava em falsos montes,
Por entre cordas e frágeis pontes.
Percebeu-se em fino fio:

Abaixo,
Abismo infinito.
Acima,
Céu de nuvens baixas.

Mas saltitava e continuava,
Rumo a que não mais sabia.

Uma gota em sua face,
Era a chuva que chorava,
Tantas outras escorriam,
Era o choro que chovia.

Fez-se então a tempestade,
Começou a ventania.
Na corda já tão bamba, ela desequilibrava:

Cambaleio
Para um lado.
Cambaleio
Para o outro.

Vem o vento, sopra forte
E a derruba feito pluma.

Ao nada vai caindo,
Olhando ao precipício.
Desespera, esperneia, grita
E continua a cair.

Já sem força para ir contra,
Se deixa entregar.
Acolhida pelo ar, começa a dançar.

Se vira para o céu,
Não mais longe que o abismo:
A chuva já passou.
Entre as nuvens, vê o sol.

Sente o calor que a acaricia
E de baixo vai acima.

Olha lá ela no ar,
Como um peixe em um mar.
Está caindo ao contrário,
Aprendeu a voar.

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